Paraguai queixa-se de 'nova Tríplice Aliança'

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25 Junho 2012

Embora a cúpula do novo governo de Federico Franco meça cuidadosamente as palavras que dirige ao Brasil, vozes na política e na imprensa favoráveis à deposição do ex-bispo Fernando Lugo fazem cada vez mais alusão ao fantasma do "imperialismo brasileiro" para explicar o isolamento paraguaio.

A reportagem é de Roberto Simon e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 25-06-2012.

A manchete de ontem do La Nación, de Assunção, falava em uma "nova Tríplice Aliança" contra o Paraguai, uma "reedição" da união de forças entre Brasil, Argentina e Uruguai que, de 1864 a 1870, esmagou o pequeno país vizinho. O jornal ABC Color, também da capital, levantava suspeitas sobre "negócios" entre o governo brasileiro e Lugo, supostamente o verdadeiro motivo para Brasília querer isolar o novo governo paraguaio. "Isso considerando que, ao lado da Venezuela, (o Brasil) é o que mais grita contra o 'imperialismo' que impõe um 'injusto' bloqueio a Cuba". O diário vai além: "Poderia ser também para negociar depois alguma vantagem adicional em Itaipú. Daqui a pouco descobriremos isso".

O alto escalão do governo Franco mantém um discurso elogioso em relação ao Brasil e, sobretudo, à presidente Dilma Rousseff. Em entrevista à imprensa brasileira, o recém-indicado chanceler José Félix Estigarribia afirmou "admirar muito a biografia de luta" da presidente brasileira, "uma heroína", e completou que seria "maravilhoso" um encontro entre ela e Franco na próxima cúpula do Mercosul, que ocorre nesta semana na Argentina.

Mas dentro do Partido Liberal, legenda do novo presidente, as invectivas com ranço antibrasileiro não são raras. "O Brasil tem de entender que o Paraguai não é um simples Estado brasileiro. Somos um país soberano, com nossas próprias leis e regras, com nossos próprios interesses. Quando vocês começarem a ver isso, nossa relação certamente melhorará", disse ao Estado o deputado liberal Enrique Mineur, enquanto deixava o palácio presidencial.